Pular para o conteúdo principal

Corporal

Radiofrequência para flacidez: como funciona, quantas sessões e o que ela não faz

A radiofrequência aquece a derme de forma controlada para estimular os fibroblastos e a produção de colágeno. Isso tem base científica — e limites claros. Explicamos o mecanismo, o número usual de sessões, quem não deve fazer e por que ela não substitui cirurgia nem trata gordura localizada.

Por Via Estética6 min de leitura

Avaliação gratuita de 30 min · Carlos Prates, Belo Horizonte

Radiofrequência é vendida de duas formas opostas na internet: como substituta indolor de cirurgia plástica, ou como aparelho que "não faz nada". Nenhuma das duas descreve o que acontece na sessão. O que existe é um mecanismo bem documentado, com efeito real e de tamanho moderado, que depende de protocolo e de expectativa calibrada.

O que a radiofrequência faz na pele

O equipamento entrega energia eletromagnética que se converte em calor dentro do tecido. O objetivo é atingir uma faixa de temperatura na derme alta o bastante para provocar contração das fibras de colágeno existentes e disparar a resposta de reparo, mas controlada o suficiente para não lesar a superfície da pele. Toda a técnica está em manter essa janela.1

A partir daí quem trabalha é o seu organismo: o estímulo térmico ativa os fibroblastos, as células responsáveis por produzir colágeno novo. É por isso que o efeito é progressivo e continua depois da última sessão — a neocolagênese é um processo de semanas a meses, não de minutos.2

Quantas sessões e com que intervalo

Diferente do microagulhamento, a radiofrequência costuma ser aplicada em séries mais próximas: o estímulo é térmico e não deixa a pele em recuperação por dias. Na Via Estética, o protocolo de referência para corpo é de 8 a 10 sessões semanais, com 45 minutos por sessão, para flacidez tissular em abdômen, braços, glúteos e coxas.

O que muda esse número: o grau de flacidez no ponto de partida, a área tratada, a idade e o histórico de variação de peso. Grau leve responde antes; flacidez importante — a que aparece depois de perda de peso grande ou de gestação — pode melhorar de forma perceptível e ainda assim não chegar ao resultado que só um procedimento cirúrgico entrega.

O que a radiofrequência não faz

  • Não emagrece e não trata gordura localizada. O alvo é a firmeza da pele, não o volume de gordura.
  • Não substitui abdominoplastia, braquioplastia ou qualquer cirurgia de retirada de pele.
  • Não produz resultado permanente. O colágeno continua envelhecendo — por isso existe manutenção.
  • Não corrige flacidez muscular. Isso é trabalho de exercício resistido, não de aparelho.
  • Não tem efeito único e igual para todo mundo, e nenhum equipamento sério promete isso.

Quem não deve fazer

A radiofrequência é um recurso de baixo risco quando as contraindicações são respeitadas — e elas existem porque a técnica trabalha com corrente e calor. Informe sempre, mesmo que pareça irrelevante:

  • Marca-passo, desfibrilador implantável ou qualquer dispositivo eletrônico implantado.
  • Gravidez ou suspeita de gravidez.
  • Implantes metálicos, próteses ou DIU de cobre na área a ser tratada.
  • Alteração de sensibilidade na região — sem sensibilidade preservada, você não consegue avisar que está quente demais.
  • Lesão de pele, infecção ativa ou pós-operatório recente na área, sem liberação médica.
  • Doenças descompensadas, trombose ou histórico de trombose, e quadros oncológicos em tratamento — nesses casos, a conduta é definida pelo médico.

Também é obrigatório que o equipamento seja regularizado na Anvisa. A lei que regulamenta a profissão de esteticista exige o uso de produtos e equipamentos registrados, e essa é uma pergunta que você pode e deve fazer em qualquer clínica.34

Como é a sessão

É confortável e, para a maioria das pessoas, agradável: a sensação é de calor progressivo, parecida com uma massagem morna. Não há tempo de recuperação — você volta à rotina no mesmo dia. A pele pode ficar levemente avermelhada por um curto período, o que é esperado.

O único desconforto que não é normal é calor pontual e agudo. Isso significa que o parâmetro precisa de ajuste, e é por isso que a comunicação durante a sessão importa mais aqui do que em qualquer outro procedimento que a gente faz.

Perguntas frequentes

Radiofrequência dói?

Não. A sensação é de calor progressivo, comparável a uma massagem morna. Calor pontual e agudo não é esperado e indica que o parâmetro precisa ser ajustado na hora.

Quantas sessões de radiofrequência são necessárias?

Nosso protocolo de referência para o corpo é de 8 a 10 sessões semanais, ajustado ao grau de flacidez e à área tratada. O efeito continua se desenvolvendo por semanas depois da última sessão.

Radiofrequência emagrece?

Não. Ela atua na firmeza da pele estimulando a produção de colágeno, não na redução de gordura. Qualquer oferta que combine as duas promessas merece desconfiança.

Posso fazer radiofrequência grávida?

Não. Gravidez ou suspeita de gravidez é contraindicação, assim como marca-passo, implantes metálicos na área tratada e alteração de sensibilidade local.

O resultado é permanente?

Não. O colágeno produzido é real, mas a pele continua envelhecendo. Por isso existem sessões de manutenção espaçadas depois do protocolo inicial.

Fontes

Toda afirmação com marcação numérica no texto remete a um destes documentos. A data indica quando o conteúdo foi conferido contra a fonte.

  1. 1Kilmer SL, Avram M, Bhatia AC e cols.. Monopolar Radiofrequency for Dermal Prejuvenation: Scientific Rationale and Mechanisms of Action. Lasers in Surgery and Medicine, 2026 · DOI 10.1002/lsm.70087, 2026. Acessar Consultado em 04/09/2026.
  2. 2Goldman MP, Kilmer SL, Biesman B e cols.. Monopolar Radiofrequency-Induced Fibroblast Stimulation for the Prevention and Improvement of Skin Laxity. Dermatologic Surgery, 2025 · DOI 10.1097/DSS.0000000000004714, 2025. Acessar Consultado em 04/09/2026.
  3. 3Brasil. Lei nº 13.643, de 3 de abril de 2018 — regulamenta as profissões de Esteticista e de Técnico em Estética. Câmara dos Deputados, 2018. Acessar Consultado em 04/09/2026.
  4. 4Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Cosméticos para tratamentos estéticos. gov.br/anvisa, 2024. Acessar Consultado em 04/09/2026.

Procedimentos citados neste artigo

Leia também