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Queda de cabelo com Mounjaro ou Ozempic: o que a evidência mostra e o que fazer

A queda de cabelo com Mounjaro e Ozempic é real, mas costuma ser temporária. O que os estudos mostram, quando é caso de dermatologista e como cuidar do couro.

Por Via Estética8 min de leitura

Avaliação gratuita de 30 min · Carlos Prates, Belo Horizonte

Quem começa a emagrecer com semaglutida (Ozempic, Wegovy) ou tirzepatida (Mounjaro) costuma comemorar a balança e, alguns meses depois, levar um susto no ralo do banheiro. A pergunta que chega à avaliação é quase sempre a mesma: é o remédio, vai parar, vou ficar careca? Este texto resume o que a pesquisa publicada até agora consegue responder — e o que ela ainda não sabe.

Uma fronteira antes de tudo: esses medicamentos exigem prescrição médica, e desde junho de 2025 a receita fica retida na farmácia. Nada aqui é orientação para manter, reduzir, pausar ou trocar a caneta. Se a queda está incomodando, a primeira conversa é com quem prescreveu.1

A queda de cabelo é mesmo por causa da caneta?

A associação existe e já foi medida. Uma meta-análise de 2026 reuniu nove estudos de intervenção — sete deles ensaios clínicos randomizados —, somando 4.114 pessoas em uso de agonistas de GLP-1. O risco de queda de cabelo foi cerca de três vezes maior que no grupo placebo, e a diferença se manteve quando a análise ficou só com os ensaios em pessoas com sobrepeso ou obesidade. Olhando apenas para quem usou o medicamento, a queda foi relatada em 3,9% dos participantes.2

Três vezes mais risco assusta, mas o número absoluto continua baixo: a maioria de quem usa não relata queda nenhuma. E "associado" não quer dizer que a molécula agrida o folículo. A revisão sistemática mais detalhada sobre o tema, também de 2026, aponta o emagrecimento rápido como provável contribuinte, sobretudo para o tipo de queda mais comum nesses casos.23

Essa mesma revisão encontrou semaglutida e tirzepatida como as que mais aparecem ligadas à queda entre os medicamentos da classe. A tirzepatida, que produz o maior emagrecimento, foi a mais associada ao eflúvio telógeno; com a semaglutida, a queda pareceu depender da dose: não foi observada nas doses mais baixas, usadas no diabetes, e ficou mais frequente nas doses mais altas, prescritas com mais frequência para obesidade. Mulheres pareceram proporcionalmente mais afetadas.3

Ensaio clínico citado na revisãoCom tirzepatidaCom placebo
SURMOUNT-1 (Jastreboff e cols., 2022)de 4,9% a 5,7%, conforme o braço0,9%
SURMOUNT-3 (Wadden e cols., 2023)7% (20 de 287)1,4% (4 de 292)
Frequência de alopecia relatada como evento adverso, conforme a revisão sistemática de Gupta e cols. (2026). É dado de pesquisa, não orientação de uso.3

Que tipo de queda é essa

Na maior parte dos relatos, o padrão é o do eflúvio telógeno: queda difusa, espalhada pela cabeça toda, sem falha definida. Um estresse físico importante — e emagrecer rápido é um deles — empurra muitos fios para a fase de repouso ao mesmo tempo, e eles caem juntos semanas depois. Dieta muito restritiva e baixa reserva de ferro estão entre os gatilhos clássicos descritos na literatura.4

Com as canetas, a revisão de 2026 descreve a queda aparecendo com um atraso de aproximadamente dois a três meses depois de começar o tratamento. Ela também registra que o uso desses medicamentos se associa a deficiência de vitamina D e de ferro e a ingestão insuficiente de cálcio e de proteína — comer muito menos, por semanas, cobra o preço em algum lugar, e o fio é um dos primeiros a mostrar.3

A explicação completa do ciclo do fio, de quanto cabelo cair é normal e de como o eflúvio se diferencia da calvície genética está no nosso guia geral sobre queda de cabelo. Aqui, o foco é o que muda para quem está usando a caneta.

O cabelo volta?

Na maioria dos casos, a expectativa é boa. A revisão de 2026 afirma que não há evidência forte de dano permanente ao folículo associado a esses medicamentos, e que os casos relatados se parecem sobretudo com o eflúvio telógeno, que costuma ser autolimitado e reversível — com melhora geralmente observada em três a seis meses depois que o peso estabiliza.3

Fora do contexto das canetas, a revisão de referência sobre eflúvio telógeno descreve que o quadro agudo dura menos de seis meses e tende a se resolver quando o gatilho é identificado e removido. Quando passa de seis meses, é chamado de crônico e pede uma investigação mais funda.4

Duas ressalvas honestas. Primeiro, a revisão também encontrou casos de alopecia androgenética — a calvície de padrão genético — entre os relatos, e o emagrecimento pode desmascarar uma tendência que já existia. Segundo, os autores dizem com todas as letras que ainda faltam estudos prospectivos grandes para estabelecer causa e tempo. O que existe hoje é base para tranquilizar, não para garantir.3

Quando é caso de dermatologista

Diagnosticar a causa da queda e prescrever tratamento é ato privativo de médico. A revisão de 2026 recomenda que a primeira triagem separe eflúvio de calvície genética e lista quando o encaminhamento ao dermatologista se justifica. Procure avaliação médica se:53

  • A queda passa de seis a nove meses sem dar sinal de melhora.
  • Aparece um padrão: entradas avançando, topo rareando ou a risca do meio ficando mais larga, com fios cada vez mais finos.
  • O couro cabeludo coça, arde, fica vermelho ou inflamado.
  • Há dúvida real sobre o que está acontecendo — inclusive se a queda veio junto de cansaço, alteração menstrual ou outro sintoma novo.
3

É também com o médico que se decide investigação de sangue. A mesma revisão cita hemograma, ferritina, TSH e vitamina D como exames que podem entrar na avaliação. Começar suplemento por conta própria antes disso pode atrapalhar justamente a investigação.3

Onde o tratamento capilar estético entra

Com o eflúvio avaliado e o médico ciente, o que resta é atravessar os meses de queda cuidando do que está ao alcance. O tratamento capilar profundo da Via Estética é um protocolo de referência de 6 sessões semanais, de 90 minutos: avaliação do couro cabeludo, esfoliação, hidratação intensiva e ativos cosméticos escolhidos para cada caso. Ele faz sentido para:

  • Couro cabeludo oleoso, com resíduo de produto ou desconforto, sem sinal de doença.
  • Fios que, além de cair, estão quebrando, ressecados ou opacos.
  • Quem quer tratar o fio novo que vai nascer com cuidado, sem química agressiva nem tração no período de queda.

O que esperar com honestidade: couro cabeludo mais confortável e fios com melhor toque e brilho ao longo do protocolo. O que não esperar: que a queda pare por causa da sessão. O eflúvio segue o próprio relógio, que depende de o peso estabilizar e de a alimentação dar conta do que o corpo precisa — e isso é trabalho da equipe médica e nutricional que acompanha você.3

Perguntas frequentes

Mounjaro dá queda de cabelo?

A queda é relatada com tirzepatida e com semaglutida. Numa meta-análise de 2026, o risco foi cerca de três vezes maior que com placebo, mas o número absoluto é baixo: 3,9% dos usuários relataram queda. O emagrecimento rápido aparece como provável contribuinte.

A queda de cabelo do Ozempic é permanente?

Não há evidência forte de dano permanente ao folículo. Os casos se parecem sobretudo com eflúvio telógeno, que costuma melhorar em três a seis meses depois que o peso estabiliza. Queda que passa de seis a nove meses pede dermatologista.

Quando começa a queda de cabelo com a caneta?

A revisão de 2026 descreve um atraso de aproximadamente dois a três meses depois de começar o tratamento, porque o fio que cai entrou em repouso semanas antes.

Devo parar a caneta se o cabelo estiver caindo?

Essa decisão é do médico que prescreveu, nunca por conta própria. Leve a queixa à consulta: ele pode investigar ferro, vitamina D e tireoide, avaliar a alimentação e encaminhar ao dermatologista se for o caso.

Tratamento capilar faz o cabelo parar de cair com Mounjaro?

Não. O tratamento capilar estético cuida do couro cabeludo e da fibra — limpeza, esfoliação e hidratação — durante o período de queda. O eflúvio segue o próprio tempo, e a causa é assunto médico.

Fontes

Toda afirmação com marcação numérica no texto remete a um destes documentos. A data indica quando o conteúdo foi conferido contra a fonte.

  1. 1Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entra em vigor norma que prevê retenção de receita para medicamentos agonistas GLP-1. gov.br/anvisa, 2025. Acessar Consultado em 08/10/2026.
  2. 2Cheng PL, Chang HC. Glucagon-like peptide-1 receptor agonists and hair loss: A systematic review and meta-analysis. Diabetes Research and Clinical Practice, 2026;237:113333 · DOI 10.1016/j.diabres.2026.113333, 2026. Acessar Consultado em 03/11/2026.
  3. 3Gupta AK, Teasell EM, Economopoulos V, Mirmirani P. GLP-1 therapies and hair loss: A systematic review of current evidence and implications for counseling. Science Progress, 2026;109(2) · DOI 10.1177/00368504261444578, 2026. Acessar Consultado em 08/10/2026.
  4. 4Asghar F, Shamim N, Farooque U, Sheikh H, Aqeel R. Telogen Effluvium: A Review of the Literature. Cureus, 2020;12(5):e8320 · DOI 10.7759/cureus.8320, 2020. Acessar Consultado em 08/10/2026.
  5. 5Brasil. Lei nº 12.842, de 10 de julho de 2013 — dispõe sobre o exercício da Medicina. Presidência da República, 2013. Acessar Consultado em 04/09/2026.

Procedimentos citados neste artigo

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